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domingo, 25 de dezembro de 2022

RACISMO COTIDIANO

 

"O racismo cotidiano refere-se a todo vocabulário, discursos, imagens, gestos, ações e olhares que colocam o sujeito negro e as Pessoas de Cor não só como “Outra/o” – a diferença contra a qual o sujeito branco é medido – mas também como Outridade, isto é, como a personificação dos aspectos reprimidos na sociedade branca. Toda vez que sou colocada como “outra” – seja a “outra” indesejada, a “outra” intrusa, a “outra” perigosa, a “outra” violenta, a “outra” passional, seja a “outra” suja, a “outra” excitada, a “outra” selvagem, a “outra” natural, a “outra” desejável ou a “outra” exótica –, estou inevitavelmente experienciando o racismo, pois estou sendo forçada a me tornar a personificação daquilo com o que o sujeito branco não quer ser reconhecido. Eu me torno a/o “Outra/o” da branquitude, não o eu – e, portanto, a mim é negado o direito de existir como igual.


No racismo cotidiano, a pessoa negra é usada como tela para projeções do que a sociedade branca tornou tabu. Tornamo- nos um depósito para medos e fantasias brancas do domínio da agressão ou da sexualidade. É por isso que, no racismo, a pessoa negra pode ser percebida como “intimidante” em um minuto e “desejável” no minuto seguinte, e vice-versa; “fascinantemente atraente” a princípio, e depois “hostil” e “dura”. Em termos freudianos, os dois aspectos da “agressão” e da “sexualidade” categorizam a organização psicológica de um indivíduo. Na sociedade branca, no entanto, esses dois aspectos da “agressão” e da “sexualidade” têm sido reprimidos e reprojetados de forma massiva em outros grupos raciais. Tais processos de repressão e projeção permitem que o sujeito branco escape de sua historicidade de opressão e se construa como “civilizado” e “decente”, enquanto “Outras/os” raciais se tornam “incivilizadas/os” (agressivos) e “selvagens” (sexualidade). O sujeito negro é percebido como um ou como outro, através das seguintes formas: Infantilização: O sujeito negro torna-se a personificação do dependente – o menino, a menina, a criança ou a/o serva/o assexuada/o – que não pode sobreviver sem o senhor.


Primitivização: O sujeito negro torna-se a personificação do incivilizado – a/o selvagem, a/o atrasada/o, a/o básica/o ou a/o natural –, aquele que está mais próximo da natureza.


Incivilização: O sujeito negro torna-se a personificação do outro violento e ameaçador – a/o criminosa/o, a/o suspeita/o, a/o perigosa/o –, aquele que está fora da lei.


Animalização: O sujeito negro torna-se a personificação do animal – a/o selvagem, a/o primata, a/o macaca/o, a figura do “King Kong” –, outra forma de humanidade.


Erotização: O sujeito negro torna-se a personificação do sexualizado, com um apetite sexual violento: a prostituta, o cafetão, o estuprador, a/o erótica/o e a/o exótica/o.


O vocabulário, por exemplo, me coloca como “Outra” quando nas notícias ouço falarem sobre “imigrantes ilegais”. Discursos me colocam como “Outra” quando dizem que não posso ser daqui porque sou negra. Imagens me colocam como “Outra/o” quando ando pela rua e me vejo cercada por anúncios com rostos negros e palavras apelativas como “Ajuda”. Gestos me posicionam como “Outra” quando na padaria a mulher branca ao meu lado tenta ser atendida antes de mim. Ações me colocam como “Outra” quando sou monitorada pela polícia assim que chego a uma estação de trem. Olhares me colocam como “Outra” quando as pessoas olham fixamente para mim. Toda vez que sou colocada como “Outra”, estou experienciando o racismo, porque eu não sou “outra”. Eu sou eu mesma.


O termo “cotidiano” refere-se ao fato de que essas experiências não são pontuais. O racismo cotidiano não é um “ataque único” ou um “evento discreto”, mas sim uma “constelação de experiências de vida”, uma “exposição constante ao perigo”, um “padrão contínuo de abuso” que se repete incessantemente ao longo da biografia de alguém – no ônibus, no supermercado, em uma festa, no jantar, na família." Grada Kilomba.

RACISMO INSTITUCIONAL

 "Como o termo “instituição” implica, o racismo institucional enfatiza que o racismo não é apenas um fenômeno ideológico, mas também institucionalizado. O termo se refere a um padrão de tratamento desigual nas operações cotidianas tais como em sistemas e agendas educativas, mercados de trabalho, justiça criminal, etc. O racismo institucional opera de tal forma que coloca os sujeitos brancos em clara vantagem em relação a outros grupos racializados." Grada Kilomba. 

RACISMO ESTRUTURAL

 "O racismo é revelado em um nível estrutural, pois pessoas negras e People of Color estão excluídas da maioria das estruturas sociais e políticas. Estruturas oficiais operam de uma maneira que privilegia manifestadamente seus sujeitos brancos, colocando membros de outros grupos racializados em uma desvantagem visível, fora das estruturas dominantes. Isso é chamado de racismo estrutural." Grada Kilomba. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

ESTAR VIVO

 Para o antropólogo Tom Ingold, estar vivo é como  tivéssemos a capacidade de sentir e responder as demandas de um contexto/ambiente que está em constante movimento. Neste contexto, o ambiente no qual encontra-se as relações entre pessoas e objetos opera a partir de uma contínua e recíproca existência.  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

MÚLTIPLAS ONTOLOGIAS

 As múltiplas ontologias possibilitam a existências de realidades múltiplas. Ou seja, os seres humanos, compartilham de múltiplas condições humana modeladas e remodeladas a partir dos sentidos e significados criados, compartilhados, (re)criados e (re)compartilhados dentro de um cultura. Em outras palavras, a existência é plástica. Por isso, os modos de ser são diversos. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

TEORIA SOCIAL POR DAVID GRAEBER

In Alteridade Radical é só outra forma de dizer "realidade": 


"Nos meus momentos mais cínicos eu às vezes penso na teoria social como uma espécie de jogo no qual um dos prêmios mais cobiçados consiste em ver quem teve a ideia mais selvagem, mais chocante, mais aparentemente perigosa, mas que não oferece qualquer desafio às estruturas de autoridade existentes. Nos acostumamos tanto a jogar esse jogo que já não sabemos como seria uma ideia realmente perigosa." p. 314

BARDO THÖDOL

 A morte é um nascimento. Toda vez que você morrer. Você nascerá. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

ESTIGMA

 A maior parte dos preconceitos e estereótipos que as pessoas criam sobre sua pessoa. São baseados, na maioria das vezes, no pouco conhecimento e na pouca compreensão que elas têm sobre você. É comum, as pessoas acharem que você é um louco, uma louca. Não deveria, mas é comum. Digo para você seguir e continuar sua caminhada. Pois, como já disse o Goffman, as pessoas acreditam no ideal (perfeição) de uma identidade social virtual incompatível com a identidade social real (imperfeita) de qualquer pessoa que caminha sobre a terra. Porém os estigmas continuaram sendo criados, aplicados, recriados e reaplicados. Infelizmente, você terá que lidar com isso. As vezes, você perde. Em outras, você ganha.