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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O MITO DO AMOR MATERNO

 

INTRODUÇÃO

O presente trabalho versa sobre o livro “Um amor conquistado: o mito do amor materno” da filósofa francesa Elisabeth Badinter, publicado originalmente no ano de 1980. A autora nasceu na França em 1944 e esta se juntou ao movimento feminista ainda na década de 1970, contribuindo com a militância política e principalmente com reflexões teóricas sobre a condição da mulher na modernidade. Apesar de o livro estar focado na analise do papel das mulheres na sociedade francesa e possível se apropriar dos seus pensamentos, expandindo-o para a problematização da condição feminina em outros contextos. Ao abordar essa temática que fora atribuído socialmente um caráter “sensível” e “intimo” de cada mulher, Badinter não mede esforços na tentativa de desnaturalizar o “instinto da maternidade”, desconstruindo-o o discurso de que toda e qualquer mulher nasce para ser mãe.

Demonstrando ao longo das páginas que o amor materno assim como qualquer outro sentimento é passível de sofrer transformações, sendo mais ou menos valorizado conforme o contexto social, podendo receber influencias das mudanças que ocorrem nos costumes e aspectos sociais, políticos, econômicos, científicos e filosóficos. As ideias apresentadas no texto tentaram dar conta de olhar para a maternidade de maneira crítica, relevando as relações de saber e poder incorporados nos discursos e práticas dos agentes, desconstruindo o caráter natural do amor materno e o papel de mãe que fora historicamente atribuído à mulher.

A reflexão colocada por Badinter nos permite uma revisão da historiografia da sociedade francesa, mas especificamente no desenrolar de três séculos de sua história que vai do século XVII ao XX, onde as experiências das mulheres são os elementos-chave para compreender as transformações e os processos da luta pela igualdade e emancipação política das mulheres. A obra está dividida em três partes que procuram dar conta de narrar a “invenção” 1 do amor materno e seus desdobramentos sociais e políticos. Badinter estará preocupa em compreender como um sentimento pode passar por variações tão profundas, indo de uma indiferença aos cuidados dos filhos para uma situação onde a mãe passa a ver vista e cobrada socialmente pelos cuidados das crianças. Estas transformações são constituídas na e pelas relações de gênero (é também de saber e poder), onde os discursos masculinistas além de inferiorizar a condição das mulheres, ao longo da segunda metade do século XVIII começa a exigir delas a exclusividade do cuidado e principalmente da amamentação (aleitamento) dos filhos tendo a figura da “boa mãe” como o tipo-ideal de mulher a ser seguido.

O livro está divido em três partes: “O amor ausente”; “Um novo valor: o amor materno” e “o amor forçado”. Não necessariamente as partes seguem uma cronologia, pois as reflexões apresentadas tiveram como referência os diários e cartas de mulheres pertencentes à burguesia e a aristocracia, as taxas estatísticas (principalmente as de natalidade e mortalidade infantil), legislações e uma minuciosa revisão filosófica e histórica da França2 da época. Na primeira parte, a autora apresenta questões ligadas à autoridade paterna e marital, chamando a atenção das condições das crianças anteriormente a segunda metade do século XVIII e finaliza-o falando sobre a indiferença (materna) em relação à amamentação e aos cuidados dos filhos. Na segunda parte, será discutido o nascimento de um novo valor moral direcionado e de responsabilidade das mulheres: o amor materno que, por sua vez nasce junto com a invenção da infância. Por fim, na terceira parte do livro, está reservada a apresentação e critica feminista do discurso filosófico de Rousseau e a psicanálise de Freud.

A publicação de Émile de Rossueau em 1762 é um marco no paradigma familiar do da segunda metade do século XVIII. Ela pode ser considerada como a primeira obra a exercer influência sobre o comportamento familiar moderno, atribuindo as instruções para que as mulheres pudessem aceitar o sacrifício de se tornarem boas mães em nome do dever e da felicidade. Já na psicanalise de Freud e seus discípulos, como Helène Deutsch (1884 – 1982) 3, além de defender a tese, que a mulher teria inveja do pênis, definiam a personalidade feminina a partir de três categorias que seriam a expressão da natureza feminina: a passividade, o masoquismo e o narcisismo. Esses duas concepções (a filosófica e a cientifica) estavam em consonância como os valores dominantes da sociedade. Valores que seram questionados a partir da década de 1960 graças aos movimentos feministas, que lutaram pela igualdade, pelo fim dos privilégios dos homens em relação ao saber e o poder. O século XX é um novo marca para as mulheres, com a possibilidade do acesso ao mercado de trabalho, a maternidade e a vida domestica perdem espaço e novas escolhas podem ser feitas, como por exemplo, o de não ser mães. Dado esse novo contexto que foi construído pelas mulheres a partir da segunda metade do século XX, possibilitando a participação em setores anteriormente ocupados por homens, as desigualdades permanecem, mas por outro lado as possibilidades da emancipação são cada vez mais concretas. São essas algumas das questões colocadas pela autora no final do livro. Questionamentos que ainda permanecem atuais quando refletimos sobre a condição feminina no inicio do século XXI.


UM AMOR CONQUISTADO:

De início as questões colocadas vão ao encontro as críticas ao fator biológico que instintivamente estaria ligado a mulher e daria um caráter natural a maternidade ligado a toda mulher. A família ocidental é centrada em duas condições que permitiram ao homem manter um domínio sobre a mulher: o poder paterno e a autoridade marital. O poder paterno daria ao pai o direito de julgar e punir tanto a mulher quanto seus filhos quando achasse necessário, sendo essa prática legitimada por três discursos identificados pela autora ao longo da história da sociedade ocidental. Eles seriam o aristotélico, o teológico e o político. Em Aristóteles a autoridade do homem sobre a mulher seria assegurada por conta da aparente desigualdade natural entre os seres humanos (BADINTER, 1985, p.32). No discurso teológico a superioridade do homem sobre a mulher e marcada pela máxima judaica que diz “é sempre Eva que é responsabilizada pelos pecados de Adão” (BADINTER, 1985, p.37). Máxima que revela certo desconforto com a ideia do amor igualitário proposto por Cristo. As divinas palavras acabam sendo distorcido o que na prática produzem um reforço e a justificativa a autoridade paterna.

Na primeira parte denominada “Amor ausente”, pode ser contextualizado num período de tempo que compreende até meados do século XVIII, onde a autora coloca que a maternidade se dava em termos de indiferença e, quando não, rejeição. Manifestação disso eram as altas taxas de mortalidade infantil (e sobre isso não se tomada nenhuma medida) e no caso das mulheres burguesas, a recorrência da adoção de amas-de-leite mercenárias4 eram fatos comuns no século XVIII. A não preocupação com a morte dessas crianças se refere a uma valoração onde a indiferença ou até mesmo de abandono, como a autora coloca, servia como uma couraça sentimental para proteger homens e mulheres do risco de se apegarem aos bebês que frequentemente morriam. Devemos ter o cuidado de considerar que havia, sim, uma valorização, mas esta se deva em outros termos e com outros significados, uma vez que não era obrigação nem de mães nem de pais cuidarem de seus filhos; um exemplo disso fora a massiva quantidade de bastardos e de crianças entregues e, abrigos e conventos. Era mais preferível não se apegar para evitar o sofrimento, dada a possibilidade grande das crianças não sobreviverem. Neste momento as crianças eram vistas como um “peso” para a família, as mães se recusavam a amamentar seus filhos procurando evitar deformações seus seios, sem falar na escolha de não abrir mão do próprio tempo livre para dedicar aos cuidados maternos. Essa situação tornava mais viável para as mães enviarem seus filhos para a casa de uma ama-de-leite, onde a criança permanecia até os 4 ou 5 anos.

No que diz respeito às mulheres trabalhadoras, as crianças estavam sujeitadas a cuidados ainda mais precários, dado a condição de fragilidade econômica das famílias. Essas mães não possuindo dinheiro para contratar os serviços das amas-de-leite, abriam mão de cuidar das crianças, forçando-as a abandonar a prole não por falta de amor, mas sim, por necessidade. Podemos aqui pensar no contexto brasileiro ligado ao êxodo rural pelo qual o país sofreu no desenrolar do século XX. Para as famílias que viviam no campo, morando e trabalhando em fazendas, os filhos tinham importância na medida em que eram pensadas como incremento de mão-de-obra; ou seja, os filhos teriam um valor de uso, mas, como no caso da burguesia francesa e classes inferiores5, não teria uma afetividade em questão.

A preocupação com as crianças como coloca Philippe Ariès, citado por Badinter, começa a se modificar timidamente no início do século XVII, onde o sentimento da infância aos poucos foi se arraigando as mentalidades das pessoas. Nessa época a criança ainda possui um lugar de muito pouco privilegio no ambiente familiar, estamos no período de monarquia e ainda não havia sido criado a figura do “menino-rei” que se tornará dominante a partir do século XVIII como a figura central do universo da família moderna. Foi só com a consolidação desse novo modelo familiar, que a ternura e a intimidade conseguiram se desenvolver, ou seja, os sentimentos de indiferença e abandono transformam-se em ternura e intimidade, sentimentos importantes para a manutenção dos cuidados maternos. É interessante dizer que os discursos moralizantes que procuram exigir das mulheres o sacrifício de cumprir seus “deveres”, possuía a justificativa da igualdade, do amor e da felicidade (BADINTER, 1985, p.161).

Estamos falando de um período do qual o Iluminismo era a corrente de pensamento dominante, transformando a felicidade com um dos fundamentos estruturantes da vida. A felicidade será usada como argumento na tentativa de persuadir a mulher a assumir o dever e a obrigação de ser mãe. Já que a maternidade na ótica do discurso (ou da ideologia) dominante era vista como a possibilidade de trazer alegria a vida da mãe. Mas, algumas mulheres apesar da pressão, resistiram e recusaram a aceitar o destino materno. O curioso é que nesta mesma época (metade do século XVIII), os números de crianças abandonadas crescem ano após ano.


UM AMOR FORÇADO:

As reflexões colocadas até aqui possibilitam pensar as transformações históricas e sociais pela qual o sentimento materno sofreu ao longo do tempo, apresentando a problematização de tais mudanças a partir das perspectivas das mulheres. Dessa forma, podemos ver que a valorização dada ao envolvimento afetivo entre mãe e filho varia de acordo com o que é demandado o pela sociedade e pelo contexto em questão. Pois a preocupação com as taxas de natalidade só se torna um problema social a partir do momento em que as autoridades políticas começam a se preocupação com o declínio demográfico e o decorrente déficit de mão de obra, imprescindível para o trabalho fabril e o desenvolvimento da sociedade capitalista. A criança se tornará importante (e uma preocupação) para o Estado no momento em que ela é quantificada de forma mercantil, a partir dessa perspectiva a vida transforma-se em um valor monetário importante para as pretensões estatais, como a formação de exércitos, força de trabalho, povoamento e etc.

O fenômeno relacionado à desimportância do cuidado materno se modifica na modernidade onde a mulher é obrigada a assumir a responsabilidade pelo cuidado dos filhos, abrindo mão de sua liberdade, projetos pessoais, enquanto o homem permanece ocupando o lugar habitual de privilégio na sociedade, onde as atividades prazerosas estavam ao seu cargo. Para as mulheres, além dos trabalhos domésticos e, num segundo momento, da responsabilização pelos filhos, não se pode deixar de lado a jornada de trabalho abusiva enfrentada por essas pessoas, jornadas múltiplas (cuidar da casa, cuidar dos filhos, gerar renda), diga-se de passagem. Em outras palavras, as mulheres se obrigaram a encarrar caladas as condições as quais foram responsabilizadas, olhando para o sofrendo gerado por essas condições como se fosse o sacrifício necessário pelo comprimento do dever de ser mãe.

De saída, a autora não nega a existência do amor materno, contudo, não se trata de algo natural (intrínseco) a toda e qualquer mulher. Logo, não existe o que se chama de instinto materno, pois este é uma construção social que, como vários outros fenômenos sociais, faz referência a um conjunto de valores morais dominantes de uma determinada época. Neste caso, além da preocupação com a questão demográfica, o patriarcado teria o maior peso no discurso que atribui o cuidado das crianças por parte das mulheres6. O que será apresentado ao longo da obra são as diferentes possibilidades que as mulheres tiveram e tem de manifestar o afeto em relação aos seus respectivos filhos. Esse momento enfatizado pela autora torna possível pensar o lugar ocupado pelas mulheres na sociedade, desnaturalizar o caráter instintivo que fora atribuído às mulheres e mostrar que a não-manifestação de afetos pela prole ou que optar por não ter filhos é uma escolha e um direito da mulher. Estas, que há pouco mencionamos, eram consideradas “anormais”, insensíveis, egoístas e o que as fazia ser “mães desnaturadas”, vistas como “anormais”, eram discursos científicos masculinistas usados como instrumento de dominação, submissão e culpabilização, uma vez que, ao ser inventada a infância ainda na segunda metade do século XVIII, o homem se abstém desta responsabilidade e delega os cuidados infantis às mulheres-mãe.

A sociedade ocidental, na visão da autora, é fortemente marcada por um patriarcalismo milenar que reservou às mulheres e aos filhos um lugar de submissão em relação ao pai. O patriarcado pode ser entendido como uma forma de dominação que o homem mantém sobre sua família, na qual a figura masculina é compreendida como a provedora e uma figura feminina é inferiorizada, na qual prevalece a noção de propriedade do homem sobre a mulher. A mulher, inclusive, é observada por um princípio negativo onde sua inteligência e pensamento são destituídos. Esse poder também garante à figura masculina o direito de julgar ou punir sua mulher e sua prole quando e como achasse necessário, assim como um rei teria o pleno domínio sobre a vida de seus súditos. Isto é reforçado pelo discurso político das monarquias absolutistas que suste isso aparece por meio da autoridade paterna do rei legitima seu domínio sobre seus súditos. O rei era visto com um “divino pai” que fora escolhido por Deus que cuidava da sociedade como um pai cuidaria do seu filho.


CONSIDERAÇÕES FINAIS:


Assim sendo, o desenrolar da argumentação é balizada pela seguinte pergunta: o amor materno poderia ser considerado um sentimento universal que se manifesta naturalmente em toda e qualquer mulher? Essas perguntas são respondidas de forma negativa por Bandinter, e no decorrer do livro as justificativas apresentadas giraram em torno das mulheres e das condições que historicamente foram atribuídas a elas. Com isso, ela procura demonstrar que a maternidade foi um sentimento construído a partir de discursos masculinos, possuindo estratégias repressivas que buscavam culpar as mulheres por não querem amamentar e cuidar dos seus filhos e desmoralizando as que não optaram por serem mães. Após essa prevê exposição cabe à pergunta: por que não um amor paterno? Quais os motivos que levaram a sociedade a não atribuir os cuidados aos filhos aos homens? Parte dessa resposta pode ser respondida pelo caráter que foi atribuído aos sacrifícios ligados à gestação e posteriormente aos cuidados da criança. O peso de sacrifício não foi socializado, cabendo a mulher enfrentar as dificuldades sozinha, na grande maioria dos casos sem a ajuda do homem, é mesmo nas sociedades modernas (industriais e urbanas) a mulheres que optam em serem mães passam por situações difíceis e desiguais. Já nos caso em que o homem na figura do pai começa a assumir responsabilidades que antigamente era exclusivo as mulheres, mesmo que representando a minoria dos casos, essa mudança de atitude responderia a questão anteriormente colocada? Poderíamos falar de um novo sentimento de um novo amor?


Através dos argumentos apresentados no texto acima, tomando com referencia a leitura do livro de Elisabeth Badintir, procurou-se mostrar que a ideia (ou o mito) do amor materno foi construída historicamente, sendo fruto de processos sociais, políticos e econômicos mais amplos e complexos no qual o discurso do sentimento materno foi construído e divulgado na sociedade francesa no momento em que a natalidade se tornou um problema social grave para o Estado, o que levou a intervir diretamente na vida das mulheres, responsabilizando-as pelas mortes e falta de cuidados as crianças. Atribuída à responsabilidade as mulheres, elas também passam a cobrar do Estado politicas direcionadas a condição feminina, como creches, escolas, mais tempo para a licença maternidade, saúde, educação e enfrentamento a violência de gênero.


Para concluir o texto e deixando em aberto as reflexões, podemos afirmar que construção da ideia do amor materno se deu nos últimos 300 anos, pelo menos é isso que podemos constatar no caso francês, narrado pela filosofa em “Um amor conquistado: o mito do amor materno”.




REFERÊCIAS BIBLIOGRAFICAS:


BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno; tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, 370p.


1. Optamos em utilizar o vocabulário usado pela autora, lembrando que a mesma, no prefácio do livro ela explica que a ideia da “invenção” do amor materno, seguiria a lógica de um sentimento como qualquer outro que poderia ser valorizado ou desvalorizado, frutos das variações políticas, econômicas e sociais.

2.  A França foi escolhida por Elisabeth Badinter por ser uma sociedade fortemente marcada pelo hábito das mães entregar os recém-nascidos às amas-de-leite. Hábito que segundo Badinter, intensificou-se no século XVIII.

3. Fiel discípula de Sigmund Freud (1856 – 1939) sendo a primeira psicanalista especializa em mulheres.

4. Mulheres pagas para essa função.

5. É claro que essas situações não podem ser generalizadas. Badinter até chega a citar alguns casos de mulheres camponesas que enxergavam em seus filhos suas únicas riquezas. Em suas projeções de futuro, imaginavam na velhice poder contar como os cuidados dos filhos.

6.Veremos mais adiante que esse cuidado é moral no sentido de controle dos espaços sociais e políticos que as mulheres deveriam [na visão dos homens] ocupar: a saber, a garantia de que as crianças se tornariam adultas.


domingo, 11 de fevereiro de 2024

O QUE DIZ UM SONHO

 

Sonhei com você. Foi um sonho lucido. Tentava convencer você a ficar para enfrentarmos as dificuldades da vida como o desafio a ser resolvido, juntos! Como camaradas e companheiros de jornadas. Como uma vida a ser jogada com as regras invisíveis dos códigos, condutas e comportamentos. Regras, que quando compridas, não necessariamente conseguem garantir vantagens as pessoas. Neste caso, a racionalidade é falha e a imprevisibilidade é soberana. O sonho revela essa contingência imperfeita e necessária.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

VONTADE E REPRESENTAÇÃO

 A vontade é como o sujeito do conhecimento procura compreender a realidade a partir da intuição. Por outro lado, a representação é a realidade pensada a partir do conceito. Em outras palavras, podemos pensar a vontade como uma forma de conhecimento subjetivo e a representação, como, conhecimento objetivo. São conhecimentos complementares e interdependentes.