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quinta-feira, 23 de março de 2023

IMPOTÊNCIA

 Vemos em Kant, cito por Byung-Chul Han,  um pensamento que atinge em cheio nosso entendimento sobre o impotência: 

"A impotência que se segue a uma vertigem ( uma alternância de muitas sensações desiguais que retornam em círculos e que ultrapassam a capacidade de apreensão) é um prólogo à morte."

quinta-feira, 16 de março de 2023

MEMÓRIA

 Vivemos nas memórias que simbolizamos ao longo da travessia. Ao longo da travessia simbolizamos memórias que nos permitem viver uma existência com sentido. 

quinta-feira, 9 de março de 2023

KARL MARX: ILUSTRAÇÃO DA LEI GERAL DA ACUMULAÇÃO CAPITALISTA

 Notas para estudos domésticos:

   

 A) Inglaterra de 1846 a 1866


-Mercado mundial;

-Crescimento da riqueza: variação dos lucros e rendas da terra;

-“A concentração e a centralização acompanhavam a acumulação do capital. ” p. 756;

-“Então estudamos o trabalhador no exercício de sua função social. A fim de esclarecer plenamente as leis de acumulação, é necessário examinar a situação do trabalho de alimentação e habitação. ” pp. 758 – 756.

   

 B) As camadas miseravelmente pagas


-“Só conhecemos as leis econômicas conseguindo descobrir a conexão íntima entre os tormentos da fome das camadas trabalhadoras mais laboriosas e a dilapidação dos ricos, grosseira ou refinada, baseada na acumulação capitalista.” p. 764.

-“Quanto mais rápido se acumula o capital numa cidade industrial ou comercial, tanto mais rápido é afluxo do material humano explorável e tanto mais miseráveis as habitações improvisadas dos trabalhadores.” p. 769.

-“Em virtude do fluxo e reflexo do capital e do trabalho, a situação habitacional de uma cidade industrial pode ser hoje suportável, para se tornar repugnante amanhã.” p. 769

 

 C) A população nômade


-“Em conflito com a opinião pública ou mesmo com a polícia sanitária, o capital não tem a menos cerimônia em justificar as condições perigosas ou degradantes a que submete a atividade e o lar do trabalhador, alegando que isso é necessário para explora – lo mais lucrativamente.” p. 775.

domingo, 5 de março de 2023

DUAS ABORDAGENS SOBRE A SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO


 

Será apresentada neste trabalho uma breve discussão sobre a “sociologia do conhecimento” em Mannheim e Berger & Luckmann. Pretendemos sistematizar os principais argumentos de três autores, pontuando suas contribuições para o desenvolvimento da disciplina. Partindo de suas obras, “Ideologia e Utopia” e “A construção da realidade social”, buscaremos pontuar as principais noções epistemológicas e metodológicas que os respectivos autores elaboraram. Não trabalharemos as obras utilizadas na íntegra como referência para a produção desse texto.  Cabe lembrar que as ideias discutidas aqui foram elaboradas em contextos históricos distintos, e, por conta disso, acredito que seja importante situarmos os autores.

O primeiro pensador apresentado aqui será Karl Mannheim nasceu em Budapeste em 1893, foi docente em universidades alemãs e escreveu “Ideologia e Utopia” nas primeiras décadas do século XX, sendo publicado em 1929. Em um contexto histórico-social marcado por guerras, derrota da República de Weimar e ascensão no nazi-fascimo. Em 1933 exila-se na Inglaterra, fugindo da perseguição nazista.  Os dois outros autores trabalhados são: Peter L. Berger nascido em Viena em 1929, migrou ainda jovem para os Estados Unidos e Thomas Luckmann nascido em Jasenice, Eslovénia, em 1927, estudou em Viena e Innsbruck, antes de também migrar para o EUA.  Escreveram em parceria “A Construção Social da Realidade” (1966) já na segunda metade do século XX, contexto do período pós-2° Guerra Mundial, reconstrução da Europa e Guerra Fria. De certa forma, articularemos as ideias de Berger & Luckmann às de Mannheim, tentando indicar  as principais divergências entre eles e buscaremos elencar as possíveis convergências. 

Na sociologia do conhecimento, para Karl Mannheim, o pensamento possuiria um valor prático no cotidiano das pessoas, seu papel seria o de proporcionar uma orientação para a conduta diante da tomada de uma decisão. Por outro lado, para Berger & Luckmann, a sociologia do conhecimento seria o estudo daquilo que as pessoas consideram como “conhecimento” e a “realidade”, pois são essas considerações que quando colocadas em prática produzem a realidade social. Ambos os autores trabalham com a correlação de que o pensamento humano tem com o contexto histórico e, ainda, concordam com a proposição de que é possível entender o conhecimento a partir da sua situação social. De acordo com Mannheim,“(...) uma situação humana somente pode ser caracterizada quando se leva em consideração as concepções que dela tem os participantes, como experimentam nessas situações suas tensões e como reagem às situações assim surgidas”1. Nesse ponto, em Berger & Luckmann, há uma consonância na medida em que “(...) todo ‘conhecimento’ humano se desenvolve, transmite e se conserva em situações sociais, a sociologia do conhecimento deve procurar compreender o processo pelo qual isto se realiza de modo a que uma ‘realidade’ admitida como certa, se cristaliza para o homem da rua”2.

Segundo Karl Mannheim, a possibilidade de refletirmos sobre das raízes sociais do conhecimento seria fruto de uma situação social específica 3. Só é possível uma sociologia do conhecimento dentro de um contexto que possibilite o surgimento de múltiplas maneiras de se pensar o mundo. Isso só foi possível de ocorrer dentro de uma sociedade dinâmica, conflitiva e que oferece oportunidades de mobilidade social (tanto vertical quanto horizontal). O estudo do pensamento ganha relevância conforme o mundo feudal agrário na passagem deste para um mundo moderno urbano. Assim, alguns importantes processos de transformações ocorrem no campo político, social e intelectual, como a: quebra do monopólio intelectual da Igreja, a queda da explicação unitária do universo, a democratização do sistema política, a ascensão das classes médias e o advento do mundo moderno tornaram possível a pluralidades de pensamento sobre o mundo e a emergência de outros modos de pensar ganharam notoriedade. Dessa situação, aparecem grupos sociais que se preocupam em pensar o mundo a partir das suas próprias concepções em contraste com outras concepções. Alguns destes, segundo o autor, ficariam responsáveis pela síntese das ideias na sociedade. Seriam grupos minoritários de pensadores caracterizados por estratos de intelectuais desenraizados (flutuantes) que na sociedade moderna ficariam responsáveis pela interpretação do mundo, tais grupos são denominados de intelligentsia. 

Mannheim coloca a epistemologia, a psicologia e a sociologia como os três principais métodos de investigação e compreensão do pensamento do indivíduo moderno. Mesmo reconhecendo as contribuições científicas da epistemologia e da psicologia, estas não deixam de ser criticados pelo autor. Segundo ele, tratava-se de métodos de se explicar o conhecimento a partir do sujeito, isolando-o do contexto coletivo. A sociologia, por sua vez, procurou analisar a gênese individual do conhecimento no contexto social do grupo. Na tentativa de definir o objeto de estudo de uma sociologia do conhecimento, os autores colocam algumas questões. Mannheim se pergunta logo no inicio de seu livro “como o pensamento funciona na vida pública e na politica como instrumento de ação coletiva?”4 Na elaboração do método para a sociologia do conhecimento, o autor enumera duas caraterísticas. A primeira é a de tentar compreender a emergência do pensamento dentro de um contexto concreto de uma situação histórica-social, pois esse pensamento, de acordo com Mannheim, emergiria a partir das respostas que determinados grupos desenvolvem frente os desafios e mudanças em sua situação. A segunda característica seria a de não separar os modos de pensar concretamente existentes do contexto de ação coletiva por meio da quais grupos sociais tão sentido ao mundo. Isso ocorre na associação ou no confronto que os grupos mantêm uns com os outros. Os posicionamentos em relação ao sentido que os grupos atribuem ao mundo variam na sua transformação ou conservação. Segundo Mannheim, é dessa vontade de mudar ou manter que faz emergir, a partir dos grupos organizados, os problemas, os conceitos e as formas particulares de pensamento. O autor está preocupado em entender as raízes sociais do pensamento, logo, o indivíduo não pensaria isoladamente, e sim, em grupo. Ou seja, o pensamento de uma determinada pessoa estaria ligado ao modo de pensar de um determinado coletivo. 

Já Berger & Luckmann colocam a questão de “como é possível que a atividade humana produza um mundo de coisas?”5. Para os autores, as pessoas compartilham de um mesmo contexto histórico-social e o problema de se pensar a “realidade” ou o “conhecimento” está colocado tanto para a pessoa “comum” quanto para o filósofo. Enquanto a pessoa “comum” vivencia as suas experiências na vida cotidiana sem se perguntar o “por quê” e “como” as coisas acontecem, o filósofo está interessante em saber “o que é conhecimento?” e “o que é realidade?”. Já um sociólogo estaria preocupado em entender os processos sociais de produção deste conhecimento, isto é, a compreensão do pensamento pela sociologia não está separada da ação concreta das pessoas.  A busca pela compreensão das ideias, para esses autores, ficaria restrita a um número pequeno de pessoas, isso em qualquer sociedade. Em outras palavras, o conhecimento é compartilhado em forma de senso comum por todos, enquanto que a teorização ou compreensão dele é de responsabilidade de uma minoria. 

As ideias, ou o conhecimento, em Berger e Luckmann, são produzidos pelos grupos minoritários e poderão ser legitimadas pelo resto da sociedade transformando-se em senso comum. Deste modo, elas serão realidade, sendo compartilhadas por todos ao mesmo tempo. Existiriam duas dimensões na vida cotidiana, a espacial e a temporal: a dimensão espacial seria a “zona” que contém o mundo que pode ser manipulado; a dimensão temporal faz com que nos ajustemos à vida cotidiana (por ex.: basta olharmos para o relógio para nos localizarmos). Por outro lado, dimensão temporal é continua e finita, pois não viveremos para sempre e a ideia da morte coloca um limite de tempo para as realizações dos projetos. Os alicerces do conhecimento na vida cotidiana são construídos a partir de fatores subjetivos e objetivos, a linguagem atuaria como fator objetivo e a experiência como fator subjetivo. Outro elemento importante da atividade humana seria a produção tipificações reciprocas que as pessoas atribuem uns as outras.  Com tipificação é possível aos indivíduos desenvolverem determinados hábitos, ou, aquilo que os autores denominam de habituação. O conjunto compartilhado de hábitos torna possível o surgimento e estabelecimento das instituições sociais.

Karl Mannheim acompanhou de perto a ascensão de regimes autoritários na Europa, principalmente o nazismo alemão, do qual foi vítima de perseguições por conta de ser judeu. Também foi uns dos primeiros a denunciar as barbaridades do regime.  Fatores que de alguma forma exerceram influência em sua teoria. Ao desenvolver uma sociologia do conhecimento em um contexto de dúvidas e incertezas, Mannheim se preocupou com o estudar as raízes sociais do pensamento, as motivações inconscientes, a maneira como as pessoas pensam, e, assim como “chamar” a atenção para a emergência do pensamento conservador em sua época.

Por outro lado, Berger & Luckmann estão preocupados em entender sociologicamente a vida cotidiana, o que também podemos chamar de uma “sociologia do cotidiano social”. O que se pode perceber é que os autores possuem uma perspectiva localizada no estudo dos fluxos das ideias e das interações e experiências que pessoas cotidianamente compartilham e o seus reflexos no mundo concreto.  


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BERGER, L. Peter e LUCKMANN.1999. A construção social da realidade. In: “Introdução: o problema da sociologia do conhecimento”. Lisboa: Dinalivro, p. 13-57.

MANNHEIM, Karl. 1968. Ideologia e Utopia. In: “Abordagem preliminar do problema”. Rio de Janeiro: Zahar editores.p.30-80.

sábado, 4 de março de 2023

MUDANÇA

 Conforme mostra Bergson, em A Evolução Criadora, a mudança sempre acontece: "A verdade é que mudamos incessantemente e que o próprio estado já é mudança."